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Instituto Lixo Zero Brasil

Cidades Lixo Zero: reflexões sobre responsabilidade, criticidade e transformação coletiva

Nataly A. 

M.Sc | Resíduos Sólidos | Gestão Ambiental | Educação | Ensino e Formação Docente | Sustentabilidade | Profª de ELE

Tive a honra de participar da Aula Inaugural do Curso Internacional “Cidades Lixo Zero nos Países Lusófonos”, com a palestra “Educação Ambiental e Transformação Cultural para o Lixo Zero”, promovida pelo Centro de Ensino de Educação Ambiental (CEEA) – Moçambique, alusiva à Semana Lixo Zero.

🗓️ Data: 11 de outubro de 2025 Horários: 14h (Brasil) | 19h (Moçambique) | 18h (Angola e Portugal) Modalidade: 100% online – transmitida pelo YouTube @ceea_oficial Tema central: “Cidades Lixo Zero: Planejamento, Governança Participativa e Articulação entre Sociedade Civil”

Diante da complexidade dos tempos atuais, os países do Sul Global enfrentam o desafio de tratar a questão dos resíduos com seriedade, buscando sempre um diálogo baseado na corresponsabilidade. Embora as contrapartidas do Norte Global sejam importantes, a transformação cultural acontece em múltiplos níveis: individual, epistemológico e coletivo. É fulcral entender a crise ambiental como uma crise do pensamento humano, questionando o modelo hegemônico e linear de produção e consumo, e reconhecendo que ações comunitárias e territoriais também são essenciais para mudanças duradouras.

No Encontro Zero Waste Cities, realizado em Brasília em julho de 2024, líderes de Angola, Moçambique, Portugal, Itália e Uruguai compartilharam experiências que reforçam a urgência da educação ambiental. Entre os temas discutidos estavam os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), políticas públicas, práticas culturais de gestão de resíduos e a integração do conceito Lixo Zero nos currículos escolares. Essa diversidade de perspectivas reforçou nosso compromisso com a construção de um futuro sustentável e evidenciou a importância de uma abordagem pedagógica transdisciplinar, multi e interdisciplinar.

A UNESCO estabelece como meta para o nosso 2025 a plena integração da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) em todos os níveis de ensino, assegurando oportunidades de aprendizagem ao longo da vida, desde a primeira infância até a formação de adultos, incluindo educação técnica, profissional e não formal. A educação ambiental, quando considerada como fio condutor, possui um enorme potencial transformador, capaz de influenciar hábitos, valores e práticas sociais.

No entanto, a implementação dessa visão enfrenta desafios significativos, especialmente no que diz respeito às políticas públicas. É necessário articular estratégias que respeitem as especificidades territoriais, promovam a corresponsabilidade entre Estado, sociedade civil e indivíduos, e garantam recursos e condições para que a educação ambiental seja efetiva e contínua. A reflexão central é: como podemos, a partir de nossos territórios e contextos, consolidar a educação como um pilar sólido do desenvolvimento sustentável, preparando as futuras gerações para vivenciar e promover um mundo sem lixo?

Para pensar educação ambiental, recomendei pensarmos a partir da criação de sentido, sobre comunicação ambiental em rede.

A teoria da mobilização socioambiental (Henriques, Braga & Mafra, 2017) mostra que ações eficazes dependem de múltiplos níveis: localização, informação, julgamento, ação, coesão, continuidade, corresponsabilidade e participação institucional.

Durante minha fala, busquei trazer uma reflexão que considero essencial neste debate:

A criticidade que o campo da Educação Ambiental faz em relação à responsabilização individual é mais do que bem-vinda. É fundamental que questionemos esse discurso que transfere ao cidadão comum a culpa por uma crise que é estrutural e sistêmica.

Entretanto, é preciso discernir de onde parte esse discurso. Quando ele vem dos grandes contaminadores, das corporações e setores que mais poluem, estamos diante de uma narrativa demagoga, de um discurso de greenwashing — uma forma de encobrir a responsabilidade real e manter a lógica de consumo intacta.

Mas aqui entra uma nuance importante: Como indivíduos, como sujeitos críticos e éticos, não podemos abrir mão da nossa capacidade de agir e transformar. Faz parte da nossa própria condição humana questionar, romper e propor novas formas de proceder, atuar e viver.

A Educação Ambiental nos convida a isso — a compreender e desafiar a lógica linear da extração, do consumo e do descarte, e a construir, coletivamente, novas práticas baseadas na circularidade, na regeneração e na consciência.

Porque o movimento Lixo Zero não se limita à gestão de resíduos. Ele é uma mudança de cultura, uma reconexão com os territórios, com a natureza e com as pessoas.

E é na ação coletiva, nas redes locais e na governança participativa, que essa transformação ganha força e sentido.

Como mencionei na palestra:

“Cidades Lixo Zero não são apenas um ideal técnico — são uma expressão viva de uma nova cultura de relação com o planeta.”

Este texto é parte da reflexão que compartilhei em minha palestra para o CEEA, dentro do Programa da Aula Inaugural do Curso Internacional “Cidades Lixo Zero nos Países Lusófonos” Aula Inaugural curso lusófono “Cidades Lixo Zero”.

📺 Transmissão completa disponível em: YouTube – @ceea_oficial | https://www.youtube.com/watch?v=iohuIIVUbMk

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